Apenas um corpo de luz

Senhor, no silêncio desta prece, venho pedir te a paz, a sabedoria , e a força.
Quero sempre olhar o mundo, com olhos cheio de amor. Quero ser paciente, compreensivo e prudente. Quero ver além das aparências, teus filhos, como vós mesmo os vê, e assim Senhor ver somente o bem, em cada um deles. Fecha meus ouvidos a todas as calúnias. Guarda minha língua de todas as maldades, para que só de bênçãos se encha meu coração. Que eu seja tão bom e alegre, que todos aqueles que se aproximarem de mim, sintam a Tua Presença. Reveste-me de tua bondade Senhor, para que no decorrer deste dia, eu te revele a todos. Que assim seja! AMÉM.

domingo, 14 de agosto de 2011

**DE UM IRMÃO QUE PARTIU MAIS CEDO PELO VICIO**

Corpo de Luz - Erick



                                              2º Psicografia


Em uma noite tranqüila e sossegada, um irmão nos brinda com sua visita e relata o seus sofrimentos, e suas incertezas, por negligenciar a sua vida no mundo terreno.

O alcoólatra:

Que outra palavra existira na terra, encerrando consigo tantas potencialidades para o crime?
O alcoólatra não é somente o destruidor de si mesmo...É o perigoso instrumento das trevas, ponte viva para as forças arrasadoras da "Alma" abismal.
O incêndio que provoca desolação aparece numa chispa..O Alcoolismo que carreia a miséria nasce num copinho, ou apenas num aperitivo.
De chispa em chispa, transforma-se o incêndio em chamas devoradoras..De copinho a copinho, o vicio alcança a delinqüência..Hoje em farrapo de alma que foi homem, reconheço que, ontem, a minha tragédia começou assim;
Um aperitivo inocente, antes do almoço e do jantar..
Uma hora de recreio..
Uma noite festiva..

Era eu um homem feliz e trabalhador, vivendo em companhia de meus pais, de minha esposa e um filinho..Uma ocasião, porém, surgiu em que tive a infelicidade de solver alguns goles do veneno terrível, disfarçado em bebida elegante, tentando afugentar pequeninos problemas da vida e, desde de então, converti-me em zona pestilência para os abutres da crueldade.
Velhos amigos desencarnados de nossa equipe familiar fizeram de mim seu intérprete..A breve tempo, abandonei o trabalho, fugi à higiene e apodreci meu caráter, trocando o lar venturoso pelos Bares infelizes.
Bebendo por mim e por todas as entidades viciosas que nos hostilizaram a casa, falsifiquei documentos, matando meu pai com medicação indevida, depois de arroja-lo a extrema ruína.
Mais tarde, tornando-me bestial e inconsciente, espanquei minha mãe, impondo-lhe a enfermidade que a transportou para o sepultura...Depois de algum tempo, constrangi minha esposa ao meretrício, para extorquir-lhe dinheiro, assassinando-a numa noite de horror e fazendo crer que a infeliz se venerará usando as próprias mãos e, e de meu filho, fiz um jovem salteador e beberrão, muito cedo eliminado pela policia.

Réprobo social, colhia tão-somente as aversões que eu plantava, muitas vezes, em relâmpagos de lucidez, admoestava-me a consciência: Ainda é tempo! Recomeça! Recomeça! ...Entretanto, fizera-me um homem vencido e cercado pelas sombras daqueles que, quanto eu, se haviam consagrado no corpo físico a criminalidade e a viciação, e essas sombras rodeavam-me apressadas, gritando-me, gritando-me, irresistíveis:
Bebe e esquece, Bebe, Joaquim...E eu me embriagava, sequioso de olvidar a mim mesmo, até o delírio agudo me sitiou num catre de armadura e indigência...A febre a enfermidade e a loucura consumiram-me a carne, mas não percebi a visitação da morte, porque fui atraído, de roldão, para a turba de delinqüentes a que antes me afeiçoara..Sofri-lhes a pressão, assimilei-lhes os desvarios e, com eles, procurei novamente embebedar-me.
Os Bares era o meu mundo, com a demência, irresponsável por meu modo de ser..ai de mim, contudo! Chegou o instante em que não mais pude engodar minha sede..A insatisfação arrasava-me por dentro, sem que meus lábios conseguissem tocar, de leve, uma gota do líquido tentador.
Deplorando a inexplicável inibição que me agravava os padecimentos, afastei-me dos companheiros para ocultar a desdita de que me via abjeto..Caminhei sem destino, angustiado e se me louco ate que vi prostrado num leito espinhoso de terra seca..Sede implacável dominava-me totalmente..Clamei por socorro em vão, invejando os vermes do subsolo.
Palavra alguma conseguiria relatar a aflição com que implorei do Céu uma gota dágua que sustasse a alucinação de minhas células gustativas...Meu suplicio ultrapassava toda humana expressão...Não passava de uma fogueira circunscrita a mim mesmo.
Começaram, então, para mim, as miragens expiatórias..Via-me em noite fresca e tranqüila, procurando o orvalho que caia do Céu para dessedentar-me enfim, mas, buscando as bagas do celeste elixir, elas não eram, aos meus olhos, senão lagrimas de minha mãe, cuja a voz me atingia, prateando em desconsolo.

não batas, meu filho!.
Não me batas, meu filho..Devolvido a flagelação, via-me sob a chuva renovadora, mas, tentando sorve-lhe o jorro, nele reconhecia o pranto de meu pai, cuja as palavras derradeiras me impunham desalento e vergonha..Filho meu, por que me arruinaste assim? Arrojava-me ao chão, mergulhado meu ser na corrente poluída que o temporal engrossava sempre, na esperança de aliviar a sede terrível, mais na própria lama do enxurro, encontrava somente as lagrimas de minha esposa, de mistura com recriminações dolorosas, sustigando-me a consciência.
Porque me atirastes ao lodo? e por que me mataste, bandido? De novo regressava ao deserto que me acolhia, para logo após me entregar a visão de fontes cristalinas...Enlouquecido de sede, colava a boca ao manancial, que se convertia em taça de fel candente, da qual transbordavam as lagrimas de meu filho, a bradar-me, em desespero....Meu pai, meu pai, que fizeste de mim? Em toda parte, não surpreendia senão lágrimas.
Arrastei-me pelos medonhos caminhos de minha peregrinação dolorosa, como um Espírito amaldiçoado que o vício metamorfoseara em peçonhento réptil..Suspirava por água que me aliviasse o tormento mas só encontrava pranto...Pranto de meu pai, de minha mãe, de minha esposa e de meu filho a perseguir-me, implacavelmente..Alma acicatada por remorsos intraduzíveis, armaguei provações espantosas, até que mãos fraternas me trouxeram a benção da oração.
Piedosos enfermeiros da "Vida Espiritual" e mensageiros da "Bondade Divina", pelos talento da prece, aplacaram-me a sede, ofertando-me água pura..Atenuou-se-me o estranho martírio, embora a conseqüência me acuse..Ainda assim, amparado por aqueles que vos espiram, ofereço-vos o triste exemplo de meu caso particular para esclarecimento daqueles que começam de copinho a copinho, no aperitivo inocente, na hora de recreio ou na noite festiva, descendo desprevenidos para o desequilíbrio e para a morte.

E, em vos falando, com o meu sofrimento transformado em palavras, rogo-vos a esmola dos pensamentos amigos para que eu regresse.


Corpo de Luz

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